Com o decreto de 2009 que proibia a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, o prefeito Márcio Lacerda forneceu, às avessas, a fagulha que faltava para que os tambores ocupassem, anos mais tarde, os horizontes da cidade. A Praia da Estação, intervenção popular e irônica pautada pela ressignificação de espaços públicos, transformou manifestantes em banhistas. Os praieiros não tardaram a virar batuqueiros. O bloco estava formado.

O belorizontino se apropriou das marchinhas, das antigas músicas do Carnaval de outros cantos, do espiritual e criou uma folia particular. A folia é e precisa ser de todo mundo. O Carnaval pode (e deve) ser de rua e de luta. A exposição “Entre o confete e a luta” é um registro de parte desse movimento festivo e horizontal. Como não me garanto com um instrumento à tiracolo, é com a fotografia que resolvo tocar.